sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mad Max: competindo com o próprio legado

Com o perdão da analogia barata, pode-se dizer que a Avalanche Softwaretem nas mãos uma espécie de faca de dois gumes. Por um lado, a desenvolvedora foi incumbida de uma franquia prontamente reconhecível, a fim de dar-lhe uma versão em pixels e polígonos virtuais, algo até então inédito.
Por outro lado, é difícil não considerar o cenário atualmente instalado, sobretudo no que se refere a wastelands. Embora a trilogia Mad Max esteja inegavelmente entre os produtos culturais que deram origem à atual onda pós-apocalíptica que se vê nos jogos, fato é que games como Rage,Borderlands e Fallout já se encontram por aí há algum tempo, elevando os padrões de títulos sobre terras devastadas.
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A pergunta é inevitável, portanto. Mad Max terá como único diferencial seu protagonista homônimo e o icônico Interceptor? Bem, ao menos aparentemente, esse não é o caso. Afinal, basta lembrar que a Avalanche foi responsável por uma das propostas mais originalmente insanas da atual geração.
Resta, portanto, encontrar o ponto entre o sandbox, a cultura wasteland e o destrambelhado Just Cause 2.
Um jogo sobre vingança
Antes de mais nada, convém entender o que, exatamente, ocorreu aqui para fazer com que o louco Max desbravasse novamente os cenários desertificados de uma terra devastada. Algum tipo de filantropia, talvez? Não mesmo. Max teve seu Interceptor — o emblemático Ford Falcon XB GT dotado de um vistoso blower — roubado e pretende reavê-lo.
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Para tanto, o ex-policial se associará ao gênio mecânico Chumbucket, o qual deve ajudá-lo a construir uma espécie de V8 ideal com as tranqueiras encontradas no deserto — incluindo uma missão particularmente épica para roubar o “Twelve”, o último motor de oito cilindros de que se tem conhecimento. Simples assim. Pelo menos no início.
Segundo a Avalanche, o estopim inicial da trama deve se abrir em novas alianças estratégicas (talvez até amizades), o que deve conduzir a história por rumos não planejados. Em termos práticos, isso significa, por exemplo, dezenas de missões extras com pagamento apropriado, desde que os contatos certos sejam efetuados.
Pancadaria estilo Arkham
Embora grande parte da ação de Mad Max deva ocorrer sobre quatro rodas, fato é que Max também terá que encarar alguns inimigos com os punhos — ou com o que mais estiver por perto.
Nesses momentos, de acordo com o que foi mostrado até o momento, a pancadaria deve funcionar de forma muito semelhante à de Batman: Arkham Asylum e Batman: Arkham City. Você vai socar, defender e contragolpear, normalmente com combates envolvendo diversos sujeitos em trajes sadomasoquistas ao mesmo tempo.
Entretanto, Max terá também à mão uma escopeta para alguns momentos particularmente stealth, os quais devem ocorrer sobretudo em aproximações iniciais. Ademais, durante os combates veiculares, há ainda uma vantagem que não havia nos filmes: seu fiel escudeiro aqui, Chumbucket, pode dirigir o carro enquanto você distribui pancadas, tiros de escopeta (sim, “ela” está aqui) e ganchos.
Um belo jogo... Mesmo sem aviões
Mad Max deve ser um jogo de mundo aberto — com tudo o que bons títulos de mundo aberto têm direito. Entretanto, conforme seria de se imaginar, grande parte da diversão de jogos como GTA e Just Cause simplesmente não estará presente aqui. Trata-se dos veículos aéreos, dos paraquedas e de insanidades aéreas variadas (quem jogou Just Cause 2 sabe exatamente do que se trata).
Mas a Avalanche pretende compensar isso, é claro. “Dessa forma, nós percebemos que precisaríamos de uma nova mecânica de jogo, e essa mecânica são os upgrades do carro, já que diferentes possibilidades de melhorias nos veículos garantem aos jogadores uma espécie única de liberdade, uma liberdade que tem a ver com o estilo do jogo”, disse o designer-chefe de fases de Mad Max, Andreas Gschwari, em entrevista à VG24/7.
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Basicamente, o que você terá aqui será uma enorme caixa de ferramentas e blocos para montar, de forma que não há voos e “suicídios” ostensivos... Mas é possível produzir todo tipo de geringonça para sobreviver às wastelands. Parece justo.
À la Red Dead Redemption
Mad Max não pretende ser um jogo absolutamente original, isso é bastante claro. Conforme dito antes, há atualmente um cenário todo ocupado de jogos que abordam temáticas pós-apocalípticas. Mas nem todas as referências aqui parecem vir de Borderlands, Rage e Cia.
Na verdade, a forma com que a Avalanche decidiu lidar com a inevitável existência de vários quilômetros quadrados de paisagens praticamente desprovidas de vida lembra muito o que fez a Rockstar com seu Red Dead Redemption.
Embora não existam cidades recheadas de interações possíveis, atravessar o deserto em Mad Max deve representar uma aventura tão intensa e plural quanto. Você encontrará comboios de sobreviventes, itens escondidos e saqueadores prontos a levar o precioso combustível — ou o que mais você tiver nas mãos. Não deve faltar o que fazer, portanto, sobretudo quando se considera que a munição aqui é tão rara quanto os abrigos.
Enfim, a Avalanche tem a hercúlea e nobre tarefa de trazer para o mundo do entretenimento eletrônico uma franquia das mais consagradas — e que, até hoje, encontrou apenas uma representação em pixels, na época do saudoso Nintendinho. Talvez o resultado não seja composto de elementos realmente originais... Mas isso não quer dizer que não possa ser, à sua maneira, único. É esperar para ver.
Fontes: GameInformerVG24/7Gematsu

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